HISTÓRIA DA FAMÍLIA ROCHA
A família Rocha, em Alto Parnaíba, no sul do
Maranhão, teve início com a vinda de meu avô paterno, Antonio de Araújo Rocha,
e de seus irmãos, de Corrente, no sul piauiense, para a então Victória do Alto
Parnaíba, com aproxidamente cinco anos de idade, acompanhando a mãe que,
enviurara de seu pai, e contraíra novas núpcias.
Nascido em 10 de setembro de 1885, em Corrente, Antunim Rocha, como era conhecido,
ficou órfão do pai, Elias da Cunha Rocha, ao lado de dois outros irmãos, Rita
de Cássia Rocha do Amaral Britto (Ritinha) e Manoel de Araújo Rocha (Manezim).
Elias encontra-se sepultado na Fazenda Retiro dos Rocha, atualmente município
de Gilbués, no Piauí.
Viúva com pouco mais de vinte anos de vida, minha bisavó Maria Izidora de
Araújo Rocha (Izidorinha) casou-se pela segunda vez com David Lustosa de
Britto, filho do fundador de Alto Parnaíba, Cândido Lustosa de Britto, com quem
teve mais três filhos: Elpídio de Araújo Brito, Maria Adalgiza de Araújo Brito
(Ziloca) e Raimundo de Araújo Brito (Mundico).
Antunim Rocha casou-se com minha avó Ifigênia Maria do Nazareth, filha do
coronel Leopoldo Lustosa da Cunha com Maria Benedita do Nazareth (Bibi), em
1909. Leopoldo era filho do Barão de Santa Filomena, advogado provisionado de
rara inteligência e prefeito de Santa Filomena, do outro lado do Parnaíba.
Desde o casamento, meus avós passaram a morar na mesma casa onde todos os
filhos nasceram e onde vieram a falecer, ele em 1956 e ela, em 1969,
permanecendo ali minha tia Tirzah de Araújo Rocha (Tirzahinha), hoje com 82
anos de idade, que não se casou.
O casal teve os seguintes filhos: Elias de Araújo Rocha, José Benedito de
Araújo Rocha, Maria Izidora Rocha do Amaral Brito, Ritinha de Araújo Rocha,
Antonio Rocha Filho (Rochinha, meu pai), Corintho de Araújo Rocha, Ben-Hur de
Araújo Rocha, Tirzah de Araújo Rocha, Manoel Carmona de Araújo Rocha e Júnia de
Tarso Rocha e Aragão. Apenas Tirzah e Júnia permanecem entre nós.
Dessa origem, dezenas de netos, bisnetos e trinetos. Morto aos 71 anos de
idade, em abril de 1956, Antunim Rocha era um homem inteligente, apreciador de
bons livros, audacioso para o seu tempo, rompendo, em Victória do Alto
Parnaíba, com a família que dominava a política desde a fundação do lugar,
colocando-se na oposição a parentes de seu padrasto, liderando outra facção da
família Lustosa, Amaral, Brito e possibilitando o surgimento de novas
lideranças políticas.
Foi coletor de rendas, vereador e fazendeiro, ficando praticamente cego dos
dois olhos ainda relativamente jovem. Trouxe de Corrente, sua cidade natal, ao
lado de Carlos Lustosa do Amaral, o Carreta, a Igreja Batista e a fundou em
nossa cidade, enfrentando a resistência carola predominante na Igreja Católica.
Interlocutor privilegiado, manteve diálogo permanente com padres e lideranças
políticas que lhe eram contrárias. Em sua casa, cujo quintal dá acesso ao rio
Parnaíba, recebia todas as pessoas da comunidade e de municípios vizinhos, que
buscavam orientação, apoio e conselhos em vários aspectos da vida. Com uma
autoridade moral quase incomum, a todos atendia, com objetividade e firmeza em
suas colocações.
Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas a história alto-parnaibana e fatos
narrados por meu pai e seus irmãos, impregnaram em mim a extrema admiração por
esse homem extraordinário, que não acumulou riquezas, que não se entregou aos
poderosos e jamais abençoou a corrupção e a covardia.