quarta-feira, 9 de novembro de 2011

AVENIDA VIROU UM RIO EM ALTO PARNAÍBA

AVENIDA VIROU UM RIO EM ALTO PARNAÍBA
Na tarde de 01 de novembro, uma chuva forte, porém não uma tormenta, de poucos minutos transformou ruas e avenidas da cidade sul maranhense de Alto Parnaíba em rios. Não estou exagerando. Na avenida principal, a Rio Parnaíba, que dá acesso da margem do Velho Monge, onde a cidade nasceu, à rodovia estadual para Balsas, o grande volume de água fez lembrar o maior rio exclusivamente do nordeste. Um agravante: as águas carregadas pelas chuvas transportam mais lixo, entulho, lama do que o próprio Parnaíba, que também sofre maus tratos em razão do homem.
O rio da avenida passa levando tudo, traz água de esgotos e rompe fossas, calçamento e asfalto, invade casas, assusta as pessoas. O rio da avenida é fruto da não conservação das galerias e bueiros que impossibilitam o trajeto natural das águas; é o lixo, o mato e a lama acumulados há meses, desafiando os cidadãos que pagam impostos e a própria higiene da cidade, que nunca foi tão mal cuidada. O rio da avenida leva feses e urinas de ratos e outros bichos transmissores de inúmeras doenças aos seres humanos. O rio da avenida deixa a cidade fedorenta como se exalasse o próprio odor insuportável da corrupção e da impunidade.
Prefiro o rio de verdade, o Parnaíba com suas águas vermelha no inverno, em razão do afluente Uruçuí Vermelho, do lado piauiense, cujo nome diz tudo. É o vermelho vermelho do vermelho lindo, conforme imortalizou o nosso poeta Luiz Amaral em seu insuperável Bilhete ao Parnaíba. O que não diria o poeta se estivesse entre nós e presenciasse o quanto sua amada Victória está sendo maltratada? Com certeza e da autoridade moral inatacável, levantaria a voz e a escrita e faria com que as pedras clamassem.

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